A armadilha da compensação: por que nunca parece suficiente?

 

Compensar não cura, apenas adia.”


Para quem busca novidades, novas historias e novas conquistas  o ano novo é um prato cheio para planos. Sempre ouvimos pessoas fazendo listas, promessas e metas. Para a maioria, a virada do ano carrega um peso quase obrigatório: o de mudar, melhorar e provar algo. 

Eu, particularmente, não gosto dessa pressão toda. Prefiro a leveza. Para mim, não importa se é ano novo ou não- mudanças não dependem do calendário. Ainda assim, muitas pessoas procuram fórmulas quase milagrosas para planejar o que precisa ser feito. Precisam tanto da aprovação dos outros que vivem anunciando seus planos em Voz alta. E isso é perigoso. Quer saber por quê?

 muitas pessoas buscam formas milagrosas de planejar o que precisa ser feito, precisam tanto da aprovação de outras pessoas por isso vivem falando o que querem fazer, isso é muito ruim, quer saber por quê?

Porque é aí que entra a falsa sensação de alívio que a compensação oferece.


O que estamos tentando calar quando compensamos?

Quem vive buscando motivos para fazer —ou deixar de fazer —algo, costuma seguir uma lógica própria,  uma formula que só existe na sua cabeça. Essa fórmula, muitas vezes , é a compensação. 

O ressarcimento vem acompanhado da sensação de "dever cumprido". Ele se adapta a qualquer situação: uma dieta, uma mudança de comportamento, um novo curso, uma promessa feita. Sempre existe uma forma de compensar—mesmo que seja apenas mentalmente.

Para a maioria das pessoas,  a compensação funciona como uma maneira de cobrir a verdadeira raiz da insegurança. Acredito que todos nós  usamos  algum tipo de compensação, mesmo que de forma  inconsistente. Estamos todos sujeitos a isso.
 
Esse comportamento aparece com ainda mais força no inicio de um novo ano, quando surgem promessas grandiosas e uma lista infinita de desejos. Compensamos hoje para aliviar a frustração de ontem e justificar a falta de ação de amanhã. 

compensação é uma estratégia que usamos para encobrir problemas reais. Usamos o ressarcimento para mascarar nossas inseguranças e dificuldades, sentimentos não resolvidos e até aquilo que chamamos, com dor, de incompetência. Em vez de enfrentar, compensamos. Em vez de resolver, cobrimos.

Para conhecer verdadeiramente as próprias fraquezas, é preciso admitir que elas existem. Reconhecer até onde elas nos levam—  e como você podemos fazer para mudar. Para alguns, esse reconhecimento é mais fácil. Para outros, admitir  que precisam de ajuda é extremamente difícil.

Há quem saiba que existe um  problema, reconheça que usa a compensação como fuga, porém ainda não consiga admitir para si mesmo. Observando podemos  perceber que muitos vivem em conflitos parecidos:  alguns tentam entender, outros tentam camuflar, alguns  negam, outros reconhecem—mas se recusam a buscar ajuda.

E assim, a compensação continua sendo um alivio momentâneo que nunca é o suficiente. 

Você também faz parte desse círculo?

Consegue  perceber quando busca compensação em prazeres rasos? Eles podem até nos satisfazer por um curto período, mas não se deixe enganar. Esse alivio é passageiro.

É necessário cuidar desse comportamento. Investigue mais a fundo o que provoca essa busca constante por compensação. E, se for preciso, busque ajuda.

Cuidar de nós começa quando paramos de fugir.




Foto de Luriko Yamaguchi:

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